
Sunday, April 29, 2007

Sunday, April 22, 2007
Foto de IsabelSaber FAZER, sem esperar recompensa...
"Quando a vida espiritual começa a alvorar, reconhecemos que todas as nossas acções deverão ser realizadas, não visando um resultado específico, mas porque é o nosso dever realizá-las. Isto é dito facilmente, mas como é difícil de ser alcançado! Não há o que precisemos mudar em nossas vidas para nos tornarmos espirituais, mas é necessário modificar a nossa actitude em relação à vida. devemos deixar de pedir à vida e passar a dar-lhe tudo, porque este é o nosso dever".
"Esta concepção da vida constitui o primeiro grande passo na direcção do reconhecimento da Unidade. Se existe apenas uma única grande Vida, se cada um de nós nada mais é senão uma expressão daquela Vida, então, toda a nossa actividade será simplesmente a acção daquela Vida em nós, e os resultados serão colhidos pela Vida comum e não pelo eu separado."
ANNIE BESANT - A Vida Espiritual
A maioria da humanidade baseia a sua vida e a sua postura em relação à vida, em função dos benefícios que dela pretende retirar ou dos malefícios que pretende evitar. Percorrem-se vidas inteiras em fugas sucessivas, por não se aceitar que devemos viver o PRESENTE e que as agruras vêm ter connosco para que as possamos ultrapassar e não para sermos vencidos por elas.
Talvez o grande segredo seja agirmos com aquele desapego lúcido e distanciado que nos permita AGIR em vez de REAGIR à VIDA. Tudo temos dentro de nós que nos permita ir aperfeiçoando o nosso modo de VER e AGIR.
José António
Quando nos debruçamos sobre os diferentes tipos de "Yoga" descritos pelos Hindús, esta actitude descrita por Annie Besant e aqui comentada pelo José António poderia facilmente corresponder ao chamado "Karma Yoga" - o Yoga da acção justa. Claro que o que pudéssemos dizer sobre este Yoga aqui seria sempre curto, por isso o que vou escrever não pretende ser um comentário completo mas apenas uma indicação.
No Karma Yoga pretende-se que o aspirante comece a observar as suas acções e a sua forma de actuar com desprendimento - o que parece mais simples do que na realidade é.
Trata-se de aprender a fazer as coisas sem nos agarrarmos aos frutos da acção - ou seja, se praticarmos uma boa acção, não estarmos (por vezes inconscientemente) à espera que ela dê um determinado resultado ou favoreça alguém ou a nós próprios.
Esse desapego é extremamente difícil de obter e, ainda quando o consigamos relativamente a algumas áreas da nossa vida, outras há, mais pessoais, em que é bastante mais difícil de atingi-lo.
Aqui fica apenas como matéria de reflexão e auto descoberta.
Isabel Nobre
Sunday, February 18, 2007
Foto de Isabel"QUEM ?"
A "VERDADE" por detrás desta ideia reside no facto de que só nós poderemos despertar, olhar a vida com outros olhos e SERMOS nós a DIFERENÇA para melhor!
O Poema do José António aborda, precisamente, essa verdade, expressa aqui de forma poética e, ao mesmo tempo, como uma directa interpelação à consciência de cada um.
Mas será que QUEREMOS MESMO UM MUNDO MELHOR?
Isabel
Poema do José António:
QUEM?
Quem, senão tu, pode procurar a verdade?
Quem, senão tu, pode estar atento a TUDO?
Quem, senão tu, pode combater a falsidade,
Mantendo-se imperturbável e resoluto?
Quem fará por ti, o que tens que fazer?
Quem descobrirá em si, a vida, o Universo?
Quem poderá olhar, com olhos de ver
Que tudo tem o seu verso e o seu reverso?
Quem poderá ouvir o trinar das aves,
Aspirar o inebriante perfume das flores,
Sentir os estremecimentos suaves
Da Vida Una que vibra em todas as cores?
Quem carregará com perdas e danos,
Sorrindo e querendo sempre continuar,
Desvendando a ilusão dos enganos,
Descobrindo que somos um só a amar?
Só tu meu irmão desta caminhada,
Feita através deste caminho estreito
Só tu que já pressentes a alvorada!
Da Grande Vida já apanhaste o jeito!
José António
Lisboa, Fevereiro de 2007.
Thursday, February 08, 2007
Foto de Isabel Nobre POEMAS INCONJUNTOS - ALBERTO CAEIRO
Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores:há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.
A PRESENÇA DA LUCIDEZ
"Ao despertarmos cedo, esta manhã, antes da alvorada, a meditação superava as reacções do pensamento. Era uma viagem ao desconhecido que o pensamento não podia acompanhar. A aurora inundou o céu de claridade, e logo o Sol atingiu o cume das montanhas, e uma infinita pureza espraiou-se sobre a terra. (...) Tudo silenciou. Era um silêncio no qual tudo se movia, dançava e gritava. Não aquele que ocorre quando uma máquina pára de funcionar. Uma coisa é o silêncio mecânico, outra é o silêncio do vazio... Era a tranquilidade e ela veio e permaneceu connosco enquanto caminhávamos lenta e despreocupadamente, e a beleza do bosque se intensificou, as cores explodiram, fixando-se nas folhagens e nas flores..." Krishnamurti

